3 ferramentas para a transformação de qualquer produto


Por: Daniel Araújo Há 4 anos, 11 meses atrás

Lembro-me de ler uma conversa muito ativa no Linkedin em que alguém se queixava da falta de ter a melhor ideia perfeita para criar o seu negócio. Já tinha as competências, os contactos, talvez até o financiamento, mas faltava ter uma ideia que o apaixonasse verdadeiramente. Pessoalmente, acredito que essa ideia simplesmente não existe, mas existem vários problemas no nosso mundo que podemos resolver com uma nova empresa. Na verdade, a Internet abriu as possibilidades de forma absolutamente incrível, e felizmente também em Portugal temos visto vários “problemas” a ser resolvidos por startups.

 

No seu recente livro Makers,  Chris Anderson fala de três perguntas que se questionou quando decidiu criar um produto inteligente. Para o fazer procurou encontrar a melhor maneira para melhorar uma indústria matura. Chamou-lhe as ferramentas para a transformação de qualquer produto. Aplicando-as, podemos gerar centenas de ideias de negócios viáveis.

  

Depois de escolhida a indústria ou produto que vemos como muito atrasado, colocamos então as três questões do Chris Anderson:

 

1 - Como é que este produto pode ser melhorado se estivesse ligado à Internet?

Estamos a caminhar para o famoso “Internet of Things”, onde todos os objetos que conhecemos estarão conectados à web. Serão mais inteligentes e partilharão informação para melhorar as nossas vidas. Não só objetos sofrerão esta transformação como também indústrias, com os seus processos a passarem de físicos para digitais.

No caso português, temos a Tuizzi a trabalhar numa indústria que, com o poder da Internet, pode ser acessível a muitas mais pessoas.

Outro exemplo seria o Nest, um termóstato inteligente capaz de coisas fantásticas como ajustar a temperatura se a pessoa está em casa ou aprender qual é a temperatura que gostamos de ter por defeito em casa.

 

2 - Como seriam melhorados se o seu design fosse aberto, para que qualquer pessoa o pudesse modificar e melhorar?  

A empresa nova-iorquina Quirky dedica-se a "tornar o processo de invenção acessível, permitindo que o cidadão comum, com ideias excelentes, consiga executar a sua visão. Quirky ajuda a conceber tudo desde espátulas a trenós de neve, de artigos de moda a aparelhos electrónicos, tudo que tenha uma verdadeira hipótese de vingar." (citação do Tudo Mudou)

Ainda no fim-de-semana passado, no Codebits, foi falado da impressão em 3D (vejam aqui o logo da RTP que foi impresso no evento). Existem já várias comunidades online à volta deste movimento, muitas delas que fornecem de forma gratuita ou paga, designs de objetos que os utilizadores podem imprimir em casa, como o Thingiverse.

 

3 - Quão mais baratos seriam se os seus fabricantes não cobrassem por propriedade intelectual?

Esta questão pode ser repensada da seguinte forma - o que seria dessa indústria ou produto se não existissem barreiras de entrada? Se todos pudéssemos desenhar, produzir e vender um carro, uma televisão, um smartphone, o quão disruptivo seria para as nossas vidas? Fazê-lo com uma cadeira ou uma caneca já é possível através das impressoras de 3D, que estão cada vez mais acessíveis e capazes.

Um outro exemplo seria o do RaspberryPi,  um computador do tamanho de um cartão de crédito que se liga a tua TV ou a um teclado. Pode ser usado para vários fins, como usar ferramentas de produtividade, jogos, ver vídeos entre outras tarefas. O objetivo é que crianças pelo mundo inteiro aprendam a programar, de forma muito acessível, sem barreiras.

Quais são as questões que nos podemos colocar para que consigamos reinventar uma indústria?


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