38º Ignite Portugal @Braga


Por: Rita Pimenta Há 4 anos, 3 meses atrás

 Um Ignite com guerreiros, songoku, mensagens ao vivo, sonhalidade e muita inspiração.

O 38º Ignite Portugal aconteceu na passada quarta feira e teve lugar em Braga, no espaço Gnration. Sendo este um espaço de inspiração e expressão, o Ignite enquadra-se perfeitamente neste cenário.

A primeira meia hora foi destinada ao networking. Como a ansiedade reinava na sala, não tardou, começaram as apresentações.

 

Os primeiros cinco minutos de inspiração pertenceram a André Azevedo, que dedicou o seu tempo à Arpera, contando a história do nascimento e desenvolvimento desta aplicação móvel, fazendo analogias com a atitude e o power que é necessário no trabalho para que os resultados apareçam e para que as grandes ideias funcionem. Arpera é uma aplicação de mensagens onde é possível criar salas privadas ou públicas e enviar fotos e sons. Durante todo o Ignite as pessoas foram interagindo através da aplicação, num grupo destinado ao Ignite Braga, que estava a ser projetado numa tela, onde todos viam a conversação.

   

A segunda oradora foi Fátima Pereira, a única mulher do painel de apresentações, que transmitiu a sua visão acerca da forma como Braga deve comunicar, como deve promover-se usando os trunfos e mais-valias que possui. Joana referiu também os desejos para a sua cidade, sendo estes, uma Braga mais histórica, mais inovadora, mais conectada.

  

O terceiro a subir à palete foi Paulo Xavier, um psicólogo social, que se pode designar como um gladiador que desafia Braga, aconselhando-a a ser a cidade da consciência, e, para isto, será necessário revolucionar a forma de nos relacionarmos uns com os outros. Em forma de batalha, Paulo criou os guerreiros do eu, personagens fictícias que podem contribuir para a revolução da consciência. Existe o guerreiro da fantasia, da competição, da unidade, entre outros e todos eles têm uma forma própria de lidar com as situações da vida. O desafio de Paulo seria Braga estar no epicentro desta revolução, revolução que mudaria o modo de relacionamento das pessoas, através da consciência, ou seja, consciencializarmo-nos uns aos outros, questionando qual o guerreiro que convocamos para as nossas ações. Fazendo a analogia ao legado que muitos antepassados deixaram, Paulo mencionou a responsabilidade de consciencialização que somos sujeitos.

 

A quarta talk, uma das mais enérgicas da noite, ficou a cargo de João Magalhães, que, com 18 anos, abordou imensos temas em cinco minutos. A plateia não conseguiu tirar os olhos do João pela vontade e firmeza com que transmitia as suas ideias. Falou de sonhos, valores, rótulos, de oportunidades, mudança, de juventude, erros e “porteiros”, designação que João criou para aquelas pessoas que nos barram entradas, que nos fecham portas, que nos impedem de avançar. João gosta muito de errar, aprende sempre muito com isso e pensa que os erros são uma parte muito importante da vida. Como jovem, não espera que as oportunidades lhe caiam do céu, não culpa o Passos Coelho por não ter emprego, nem espera que o Governo lhe dê oportunidades, faz acontecer e trabalha para as criar. Com 18 anos tem o sonho de mudar o mundo e todos os dias trabalha para isso. João termina a sua apresentação com a frase: “Não deixem que a vida passe por vós, vivam-na com muita vontade.”

 

De seguida Luís Cochofel subiu ao palco afirmando que o João disse tudo o que ele tinha preparado para os cinco minutos, dando-lhe os parabéns pela sua apresentação. Mesmo assim, Luís mostrou algumas frases e transmitiu várias ideias, entre elas, a importância que o dinheiro tem, que, para Luís, não é nenhuma. “Se queremos alegrar alguém e comprar-lhe algo, o que nós queremos realmente não é o dinheiro, é alegrar alguém.” Uma analogia que pode mudar a maneira como vemos o dinheiro e a importância desnecessária que lhe e dada.

   

Ricardo Moreira tinha como titulo da sua apresentação “Braga aprende o movimento instantâneo”. Despertou a plateia quando mencionou que ia falar sobre três coisas: Braga, o Songoku e o movimento instantâneo. Uma metáfora que conjuga a importância de uma boa rede de contactos, o trabalho e a força para realização dos objetivos e sonhos. Mais concretamente, no caso do Songoku, Ricardo explicou que este desenho animado, no seu mundo, colocava dois dedos na testa e ia para qualquer lado. Isto acontece porque, um dia, Songoku parou num planeta desconhecido, decidiu ficar lá e foi com aquela cultura que aprendeu o movimento instantâneo. Ou seja, é necessário ter muitas experiências, criar uma rede de contactos, construir relações para adquirir as técnicas demolidoras para vencer e realizar os sonhos. Ricardo inspira-se no Songoku, este é o seu exemplo de vida e ajuda-o a ser melhor, a lutar por aquilo que ambiciona e consegue encontrar modelos neste desenho animado. Por fim, aconselha a todos que se “inspirem em alguém, tenham exemplos de vidas que apreciam, pessoas que admiram e encontrem inspiração nelas.” 

  

Jorge Saraiva contou uma história que explica o fenómeno económico, criando um círculo de pessoas, onde uma certa quantidade de dinheiro passava por todas elas voltando à mesma pessoa que gastou o dinheiro inicialmente, sendo esse acontecimento o CashMob. Depois, e mais interessante, explicou o DishMob, um movimento que tem como princípio investir e fazer crescer os empresários e negócios de uma determinada região. São encontros, onde gente da região se junta, em restaurantes e estabelecimentos locais, com o objetivo de promover a terra, contribuindo para o crescimento económico da mesma. Jorge transmitiu esta ideia com intuito de inspirar a plateia a praticá-la na região de Braga.

  

Depois do beer-break, foi a vez de Ricardo Frade que é consultor financeiro apresentar a sua ideia, neste caso o seu projeto pessoal, Pé Descalço, uma viagem improvisada à Suécia, onde o Ricardo embarcou sem roupa, sem computador e sem dinheiro. Este é um projeto que, para além de ser inspirador, é solidário, pois o objetivo é escrever um livro sobre a viagem e apoiar e divulgar a Fundação Mundos de Vida. Como explicou Ricardo, os primeiros três problemas desta aventura foram como dormir, comunicar e deslocar-se. O primeiro foi resolvido com boleias, a comida e a estadia foi o mais fácil, simplesmente porque pediu, comunicou e explicou às pessoas e estas ofereceram-se para ajudar. Finalmente, em Paris, conseguiu dinheiro para voltar para Portugal. Ricardo conclui: “Há pessoas boas em todo o lado, basta acreditar”.

  

Marco Neiva fez a plateia viajar pelo mundo da fotografia em três dimensões. A sua ideia é criar a maior coleção de fotografia em 3D. Citou o conhecido fotógrafo Emiel Biel, referindo que há mais de 120 anos já se tiravam fotos em três dimensões. A próxima evolução desta tecnologia será a possibilidade das três dimensões em tablets e smartphones, sendo que já existe um tablet onde é possível ter imagem neste formato. No final Marco tirou uma fotografia em 3D à plateia. O projeto do Marco Neiva: http://www.3dpostcards.me/

  

De seguida foi Ruben Cruz que subiu à palete para contar a sua experiência de ter conseguido oportunidade de trabalho em Braga. É do Porto, viaja todos os dias duas horas de comboio e não tem nenhum problema com isso, pois todos os dias tem muita vontade de trabalhar. Em Braga descobriu uma cidade com pessoas maravilhosas, uma enorme qualidade de vida, uma relação qualidade preço muito favorável, uma energia contagiante, muitas coisas a acontecer, muita vontade,... Referiu no final que, com tantas qualidades, é necessário divulgar Braga ao país e ao mundo.

Pedro de Almeida falou da sua experiência profissional em Braga, quando esteve “em namoro” com a Spark Agency, pensaram em morar juntos, casar, mas decidiram dar um tempo e Pedro abraçou um novo projeto, o Palhaços D’Opital. Estes são palhaços profissionais que estão nos hospitais do mundo. São apoios para todos os doentes e não apenas para crianças, dando-lhes conforto, carinho, conversas, alegria e boa disposição, resolvendo grandes problemas de afeto,... O objetivo é a criação de uma associação a full time para que possam cobrir todas as necessidades que existem.

  

Jorge Sequeira montou a palete com o tema “Sonhalidade”, palavra que ele próprio inventou cujo significado está na base da transição do sonho à realidade. Como o storytellingé uma das melhores maneiras de passar uma mensagem, a primeira história do Jorge foi a de um jovem rapaz negro que tropeçou numa lâmpada do Aladino, e, como habitual, este concedeu-lhe três desejos. Os desejos do rapaz foram ser branco, ter muita água e ser procurado por muitas mulheres, sendo assim, o Aladino transformou-o num bidé. Moral da história: não deixem os vossos sonhos nas mãos dos outros. Por entre outras histórias acabou com duas frases que podem ser muito inspiradoras: “sou dono do meu destino e capitão da minha alma” e “a imaginação é mais importante do que a inteligência”. A participação do Jorge foi muito especial e deixou todos na plateia eufóricos e com o “monstrinho” da inspiração bem vivo.

  

O ultimo orador foi Diogo Campos, que classificou a banda desenhada como uma forma de comunicar, sendo justamente uma linguagem universal. Os limites desta forma de comunicação são unicamente a imaginação, pois é possível explicar conceitos, transmitir mensagens de forma simples, funcionando até para totós, caso de instruções em aviões ou construção de móveis e equipamentos.

 

   

Por fim, foi proposto o desafio do Ignite karaoke, quem se atreve a subir ao palco e inspirar a plateia em cinco minutos, com imagens aleatórias. Desta vez, subiram 6 pessoas que tiveram que improvisar consoante as imagens e resultado foi alguma embrulhada e muitas gargalhadas.

Cerca de três horas de muita inspiração, com intensa partilha de ideias,networkinge alguma cerveja, o que resultou num grupo de pessoas que saem do Gnration com uma enorme vontade, força e determinação, com sonhos, exemplos, ideias de pessoas que estão a deixar a sua pegada neste que parece ser o mundo em que vivemos e que, por sinal, é maravilhoso! Continuem a inspirar-nos e a partilhar ideias desta forma, pouco formal.

Escrito por:

Rita Pimenta, 22 anos, viciada em fazer acontecer e em mudar vidas, tornando-as nas melhores do mundo. Para além da paixão pela comunicação, é criadora de projetos como Vontade Singular, Singular Factory, Aves Canal, Singular Magazine e está envolvida em eventos como Ignite e TEDx, colaborando também com a magnífica Nova Web.

http://www.linkedin.com/in/pimentarita


Comentários