Capital de Risco em Portugal - uma conversa com Ricardo Diz


Por: Daniel Araújo Há 4 anos, 7 meses atrás

Estivemos à conversa com um dos investidores Portugueses mais ativos nas redes sociais - o Ricardo Diz, da Espírito Santo Ventures. Escreve, ainda, o único blog sobre capital de risco português - Seeking Golden Gazelles.

 

O que procuram os investidores Portugueses nas startups?

Ricardo: “Os VCs olham para as oportunidades de várias perspetivas. Por um lado, procuram perceber a relevância do problema em questão, e se este significa um mercado endereçável significativamente grande. Por outro lado, tentam encontrar uma solução / proposta de valor diferenciadora, que tenha potencial para se tornar num negócio interessante no futuro. Ainda assim, um dos fatores mais importantes neste processo é a identificação de equipas ímpares (e.g., com visão, alta energia, capacidade de execução, etc). Naturalmente que qualquer investimento é sempre analisado do ponto de vista financeiro.”

Do lado das Startups, estas procuram um investidor que não só seja conhecedor da área onde esta opera, como tenha também um track record que comprova o seu sucesso. A questão do dinheiro é naturalmente importante, mas a sintonia estratégica entre a equipa certa e o investidor certo contribuirão imenso para o sucesso do do projeto.

Como funciona o financiamento?

Ricardo: “O nível de envolvimento dos VCs depende do estágio da empresa. É normal que as empresas mais embrionárias necessitem de maior apoio inicial, nem que seja na criação de processos mais formais de acompanhamento como criação de indicadores de seguimento, realização de Conselhos de Administração periódicos, etc.

Qualquer investimento passa por uma fase de due diligence (um processo de investigação e auditoria das informações das Startups fundamental para confirmar os dados disponibilizados aos potenciais investidores) antes do processo finalizar. Como em qualquer empresa, é feito um plano de ação / roadmap com milestones, e os mesmos são seguidos de perto."

O Ricardo escreveu um artigo fantástico sobre este tema no seu blog (em Inglês). Refere que os VC’s, para além da questão financeira, trazem “smart money”, que é a capacidade de saber onde usar o dinheiro para acelerar o seu crescimento, trazem também a visão estratégica de fora, que, combinando com a execução e visão do empreendedor, terá um impacto fundamental na Startup. Outro ponto importante é que os VC’s abrem portas, através da sua rede de contactos, a potenciais clientes, parceiros de negócio ou até compradores. Por último, os VC’s podem também contribuir para o recrutamento - defendido por muitos empreendedores como o maior desafio de todos - ao promover essas oportunidades de trabalho na sua rede.

Quem são as principais entidades?

Ricardo: “Existem várias - Desde logo existe hoje em dia a Portugal Ventures como capital de risco pública, existem outras Sociedades de Capital de Risco (SCR) privadas como a ES Ventures ou a Pathena, Business Angels e as suas associações como a APBA (Associação Portuguesa de Business Angels) e a FNABA. O QREN é também uma fonte de investimento relevante para os projctos empreendedores em Portugal.”

Há sem dúvida várias entidades que tocam hoje em dia na área do Capital de Risco em Portugal. A agregação dos vários fundos públicos na Portugal Ventures, como já falei noutro artigo, foi um passo muito importante. Do meu ponto de vista, espero que estas entidades consigam desenvolver a sua marca e posicionamento individual, tanto no mundo digital como off-line, para que consigamos ter um ecossistema mais competitivo e informado.

 

Sendo este um tópico extremamente denso e complexo, infelizmente ainda pouco falado em Portugal, teremos mais artigos sobre o Capital de Risco no futuro. Deixa-nos um comentário se tiveres uma pergunta específica sobre o tema.

Podem seguir o Ricardo no Twitter ou Google+.

Queremos agradecer imenso ao Ricardo a disponibilidade em colaborar com a NovaWeb neste artigo, esperamos os vossos comentários!


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