Da colaboração à aquisição: Como a Nubera comprou a tarpipe


Por: Daniel Araújo Há 4 anos, 9 meses atrás

Foi anunciado há duas semanas a compra da tarpipe por parte da Nubera, uma empresa de cloud computing espanhola. A equipa da tarpipe irá integrar a empresa e desenvolver o produto CloudWork.

 

Entrevistámos o Bruno Pedro, fundador da tarpipe e atual Chief Technology Officer (CTO) da Nubera  onde nos falou de como será feita a integração da equipa e do produto, da visão e futuro da tecnologia cloud e ainda o que falta em Portugal para que tenhamos mais casos de sucesso como este.

 

A oportunidade da tarpipe

Pode-nos dar uma breve descrição da história da tarpipe até hoje?

A tarpipe nasceu em 2008 após termos verificado uma necessidade crescente no mercado relacionada com a quantidade de diferentes Cloud Applications que iriam aparecer nos anos seguintes. Como se verificou, estamos em 2012, a utilização de Cloud Applications é um dado adquirido.

Em 2009 a tarpipe foi reconhecida em vários eventos internacionalmente: SXSW Web Awards Finalist, Next Web Sun Startup Rally, Techcrunch Europe Awards, entre outros.

Em 2010 recebemos investimento da empresa portuguesa de capital de risco Seed Capital. Em dezembro desse mesmo ano atingimos o break-even operacional.

Em 2011 a plataforma tarpipe já tinha processado mais de 2 milhões de items através da integraçao de diferentes Cloud Applications.

Finalmente, em 2012, a tarpipe é adquirida pela empresa espanhola Nubera eBusiness.

O que o fez criar a tarpipe?

O principal motivo foi a frustração proveniente da falta de integração entre aplicações online. Estávamos em 2008 e veriquei que gastava-se demasiado tempo para realizar tarefas simples mas que envolvessem várias aplicações online.

Um dos primeiros protótipos centrava-se na utilizaçao do e-mail como forma de publicar conteúdo online e "espalhá-lo" por diversos serviços de Social Media.

A proposta de valor sempre foi "gastar menos tempo". Ao serem automatizadas certas tarefas, os utilizadores passam a ter mais tempo livre para se dedicarem a outras tarefas de maior valor para as suas empresas.

Como surgiu a possibilidade da venda da empresa?

Inicialmente houve um contato por parte da Nubera indicando o seu interesse na tecnologia desenvolvida por nós. Esse contato transformou-se numa primeira colaboração que mais tarde deu lugar a uma aquisição.

O que lhe atraiu na oferta da Nubera?

O que mais me atraiu foi o potencial de continuar a desenvolver um produto idealizado por nós desde o início e haver outra empresa com a mesma visão e com o mesmo interesse que nós.

A tarpipe já tinha conseguido um impacto internacional. Qual era número de utilizadores da plataforma, e os principais mercados?

A plataforma tinha cerca de 25,000 utilizadores em setembro de 2012. Estes utilizadores eram maioritariamente provenientes dos Estados Unidos, Inglaterra e Japão.

 

O Produto: da tarpipe ao CloudWork da Nubera

Quais seriam os próximos passos desenhados para o produto da tarpipe? Esses planos serão congelados para já?

Os próximos passos desenhados para a tarpipe estão a ser concretizados no desenvolvimento de um novo produto, agora operado pela Nubera: o CloudWork.

A ideia é oferecer as funcionalidades já existentes na tarpipe mas com um foco directo no mercado empresarial. O CloudWork é um produto muito simples de utilizar e que permite, a qualquer empresa sem conhecimentos técnicos, integrar várias Cloud Applications.

De que forma é que o produto vai ser integrado na Nubera? A marca tarpipe será mantida?

A tecnologia desenvolvida pela tarpipe está a ser utilizada num novo produto denominado CloudWork. A marca tarpipe será mantida até ao final de 2012, altura em que deixaremos de manter o serviço.

Aos utilizadores da plataforma tarpipe está a ser oferecida a possibilidade de migrarem até ao final do ano para o novo produto CloudWork.

Toda a equipa da tarpipe está integrada na Nubera, a trabalhar no desenvolvido do CloudWork.

Quais são as vantagens para os atuais utilizadores da tarpipe nesta integração?

Através da utilização da plataforma tarpipe conseguimos verificar que cada vez mais empresas necessitam de uma forma simples e eficaz de integrarem diferentes Cloud Applications. O CloudWork vem oferecer precisamente esse serviço, retirando todos os aspectos técnicos e toda a complexidade na configuração e ativação das integrações.

Para os atuais utilizadores tarpipe, a principal vantagem será terem um produto renovado, muito mais fácil de utilizar e com uma oferta mais ampla de integrações entre diferentes Cloud Applications.

 

Visão da tecnologia e do empreendedorismo em Portugal

O mercado onde a tarpipe opera está em alto crescimento. Quais acredita serem os próximos passos nesta tecnologia?

Cada vez mais Cloud Applications desenvolvem as suas próprias integrações com outros serviços, o que demonstra que nos próximos anos este será um factor de diferenciação no mercado. Por outro lado estima-se que pequenas e médias empresas utilizem entre 3 a 5 Cloud Applications nos próximos 2 anos.

Um possível futuro poderá passar por melhorias significativas na interoperabilidade de Web services, o que fará com que as integrações sejam mais fáceis de implementar e de manter.

Encontrou os recursos necessários para desenvolver o produto em Portugal com sucesso? O que nos falta para termos mais casos de sucesso como o da tarpipe na sua perspectiva?

Em Portugal sempre encontrei demasiado negativismo e falta de apoio a ideias inovadoras. No entanto, a Seed Capital, uma empresa de investimentos em capital de risco, apostou na nossa ideia em 2010 e deu-nos o apoio para conseguirmos demonstrar a viabilidade comercial do produto.

Portugal é um país onde celebram-se os fracassos dos outros mas raramente se celebram as vitórias. É necessário mudar-se esta forma de estar no mundo dos negócios e passar-se a uma cultura em que são celebradas as ideias inovadoras e as vitórias nos negócios.

Além disso, tenho verificado que as pequenas empresas portuguesas são demasiado adversas às parcerias e à colaboração comercial. A maioria dos empresários tenta que a sua empresa seja capaz de fazer tudo e de oferecer todo o tipo de serviços aos seus clientes. Neste ambiente é extremamente complicado criar-se um ecosistema de startups especializadas.

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Obrigado ao Bruno Pedro pela disponibilidade para esta entrevista e muito boa sorte para este novo desafio.


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