Como a Startup Pirates chegou a 21 cidades em 20 meses (1ª Parte)


Por: Daniel Araújo Há 4 anos, 3 meses atrás

A 2ª parte deste artigo já foi publicada! Podes lê-la aqui.

A Startup Pirates não precisa de grandes apresentações. Seja na The Next Web, EU-Startups, Público, ou até mesmo no jornal espanhol Asturi.as ou o poláco The Accelerator Gazette, o projeto tem crescido e é sem dúvida um caso de sucesso do Empreendedorismo Português. Uma das características que mais me atrai neste programa de aceleração é o seu crescimento internacional, criado através de uma rede de parceiros. Esta abordagem fez com que conseguissem, em 20 meses, chegar a 21 cidades em 9 países. Vamos conhecer melhor a sua estratégia de internacionalização.

 

Antes de mais, podem descrever o vosso modelo de funcionamento?

“Como projeto com poucos recursos e uma equipa pequena não temos um modo de funcionamento estanque e linear, mas vou tentar simplificar ao máximo. O modo de funcionamento do Startup Pirates tem dois niveis.

Temos um primeiro nível que consiste na gestão do Startup Pirates de uma forma global. Neste nível temos os fundadores que coordenam os diversos programas em todo o mundo garantindo a qualidade dos mesmos e que a nossa metodologia é seguida. As responsabilidades passam desde a procura de patrocinadores globais, comunicação da marca de modo a atrair mais organizadores locais até à criação de ferramentas para apoiar estes organizadores. Existe também uma preocupação constante com o follow-up dos participantes/equipas que passam pelo nosso programa de forma a ser possível avaliar o impacto que estamos a ter. Ainda neste nível temos também algumas pessoas a ajudar-nos a quem nós carinhosamente chamamos de “Pirates in Residence”. Aproveito também esta oportunidade para lhes agradecer o trabalho que têm feito por nós.

O segundo nível que referi tem a ver com a organização dos programas própriamente ditos em cada cidade. O único programa organizado pela equipa global e Pirates in Residence é a edição do Porto. Este programa permite-nos testar novas ideias e manter-nos ligados à realidade. Todos os outros programas são sempre organizados em colaboração com equipas locais. Essas equipas têm acesso a documentação e ferramentas que lhes explica a nossa metodologia e lhes facilita o processo. Toda a operacionalização destes programas locais é da responsabilidade destas equipas locais, mas sempre com o nosso acompanhamento.”

 

Como chegaram até aqui

 

1 - O que vos distingue de outros programas de aceleração?

“Logo no inicio, no dia -1, ainda antes de definir o nosso programa, tivemos o cuidado de olhar à nossa volta e ver que programas já existiam. Obviamente que encontrámos vários e todos eles fortes em determinados aspectos, no entanto considerámos que não existia nenhum que combinasse todos as áreas que nós achamos essenciais para pessoas que estão a entrar no mundo do empreendedorismo. A título de exemplo, o Startup Weekend é muito bom a juntar pessoas e a dar-lhes espaço para estas trabalharem em conjunto durante um fim de semana a desenvolver uma ideia. A questão com o Startup Weekend é que parte do princípio de que as pessoas que participam já têm algum conhecimento sobre como é que se desenvolve uma ideia. Eu posso usar a minha primeira participação num Startup Weekend como exemplo. Confesso que passei todo o fim de semana a tentar perceber o que é que era preciso para desenvolver uma ideia, qual o processo, que ferramentas deveria usar. Não estou com isto a querer criticar o Startup Weekend, pelo contrário, eles são até um Role Model nosso. O que estou a querer dizer é que quando criámos o nosso programa a ideia era chegar às pessoas que estão a começar no que toca ao empreendedorismo. Assim combinamos no nosso programa não apenas a componente de desenvolvimento de ideia, mas juntamos também uma componente de capacitação que é conseguida com workshops dados por empreendedores experientes. Questionámos diversos empreendedores, um pouco por todo o mundo, de modo a perceber que tópicos são essenciais dominar quando um empreendedor está a dar os primeiros passos. Após algum estudo chegámos ao leque final de tópicos a incluir no nosso programa.”

2 - Como é que começaram o vosso processo de internacionalização? Foi algo pensado desde o primeiro dia?

“Desde o inicio consideramos que a aplicabilidade do nosso programa não era apenas nacional, mas que fazia sentido além fronteiras. Então sempre procuramos ter um posicionamento internacional. A nossa comunicação sempre foi em Ingês e mesmo a nossa primeira edição que aconteceu no Porto decorreu em inglês tendo a participação de pessoas de 5 nacionalidades. Este posicionamento internacional levou até a que em Portugal nos perguntassem como é que fizemos para trazer o conceito para Portugal e que algumas pessoas não soubessem que foi criado no Porto, por nós.

Ainda antes de acontecer a nossa primeira edição, tivemos uma equipa em Lisboa interessada em organizar lá também. Essa edição também decorreu em Inglês e teve diversos participantes de fora do país. Aliás, uma das participantes acabou por organizar uma edição na sua cidade natal, Bratislava.”

 

3 - Vocês têm conseguido atrair muitos interessados pelo mundo fora em fazer um evento vosso. O que é que normalmente os convence a fazê-lo?

“Esencialmente acho que é o formato. A nossa imagem tem ajudado a gerar interesse, mas o que acaba por convencer os interessados é a estrutura do programa aliado ao suporte que têm por parte da equipa global.”

 

 

A segunda parte desta entrevista será publicada na próxima semana.


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