Como a Startup Pirates chegou a 21 cidades em 20 meses (2ª Parte)


Por: Daniel Araújo Há 4 anos, 5 meses atrás

Na semana passada, publicamos um artigo sobre o plano de internacionalização da Startup Pirates e até onde já chegaram. Nesta segunda parte do artigo, iremo-nos focar em como estão a executar este plano e quais os próximos passos. Estamos certos que este excelente exemplo irá inspirar outros a terem uma visão global desde o início.

Podem aceder à 1ª parte do artigo aqui.

Execução

1 - Como é que vocês encontram ou chegam aos potenciais organizadores?

“Todos os fundadores já tinham algumas relações internacionais, uns mais outros menos, mas estas redes foram essenciais para divulgar o Startup Pirates e assim chegar a potenciais organizadores locais. Conseguimos também alguma cobertura mediática que também ajuda e dá alguma credibilidade. Tentámos comunicar para grupos que já tinham alguma experiencia ou já trabalhavam na área do empreendedorismo e o conceito foi sempre bem aceite. Agora estamos a chegar a um ponto em que as últimas candidaturas que recebemos para organizadores locais são espontâneas.”

 

2 - Como é que gerem as relações com os organizadores pelo mundo fora, sendo que a vossa equipa é pequena para o impacto que já tiveram?

“Dentro da nossa equipa temos sempre alguém responsável pelo acompanhamento de determinado programa. O responsável faz reuniões via skype ou pontos de situação via e-mail regulares para acompanhar a evolução dos programas. Tentamos também concentrar as interacções com as equipas na nossa plataforma de colaboração que é o Podio. Durante os programas também tentamos sempre estar presentes pelo menos nos 3 primeiros dias. Até agora temos conseguido estar em todos. Quanto aos recursos limitados, tendo isso em mente desde o inicio, começámos a criar logo desde a primeira edição uma base de conhecimento que permite aos organizadores locais terem acesso a toda a informação e recursos necessários para organizar um programa de acordo com o definido. Assim as equipas não necessitam de uma interação constante connosco porque conseguem encontrar respostas a muitas questões mais triviais recorrendo a essa base de conhecimento.”

 

3 - Têm alguma forma de avaliar o sucesso dos programas em que ninguém da equipa possa estar presente?

“Todos os nossos programas estão sujeitos a avaliação final através de questionários aos participantes. É feito um logo no final do programa e mais dois depois do programa para conseguirmos acompanhar a evolução dos projetos. E já que estamos a falar de avaliações, nós também fazemos questão que o acompanhamento que damos às equipas locais seja avaliado pelas equipas locais de modo a podermos sempre melhorar.”

 

O Futuro

1 - O vosso relatório dá excelentes pistas sobre o impacto que o projeto teve até hoje. De que maneira é que esse impacto tem sido visto fora de Portugal? É mais difíci de o mostrar ou provar fora do país?

“Curiosamente até achamos que é ao contrário. Fora de Portugal o programa tem vindo a ser bem aceite. O valor e a aplicabilidade da metodologia é reconhecida. Em Portugal até nos costumam perguntar mais coisas e exigem mais provas daquilo que está a acontecer.”

 

2 - O vosso crescimento futuro será pelo aumento do número de programas ou por fazer maiores programas?

“Fazer maiores programas penso que não será um caminho, pelo menos programas Startup Pirates. A nossa metodologia tem como limite máximo de 30/35 participantes por edição. Este limite tem a ver com o nível de relacionamento e interacção que queremos que exista entre os participantes e os empreendedores convidados. Nós queremos que cada participante tenha oportunidade de interagir com todos os convidados, sejam os mentores ou quem vem dar os workshops. Se tivermos um evento com 100 pessoas não conseguimos o mesmo nível de proximidade. Em alguns programas chegamos a ter mais convidados que participantes, o que é também uma excelente oportunidade para criar uma boa rede de contactos que se podem manter após o programa. Assim, num futuro próximo, o crescimento passará pelo aumento do número de programas, mas principalmente pela qualidade dos mesmos. Será sempre um numero limitado até a um ponto em que nos seja possivel manter a sua qualidade. Existe também a hipótese de crescer com outras iniciativas complementares.

 

3 - A Startup Pirates poderá trabalhar noutras áreas ou evoluir o seu modelo de alguma maneira num futuro próximo? Qual é o plano?

“Nós estamos sempre abertos a discutir a nossa metodologia e estamos constantemente a fazer melhorias no programa com base no feedback que obtemos dos participantes e convidados. Tentamos que a melhoria seja contínua, assim o nosso modelo está sempre em evolução. Quanto ao trabalhar outras áreas, se estas forem complementares e se inserirem nos nossos valores, sem dúvida que é uma possibilidade. Para já, paralelamente ao Startup Pirates, temos outros dois projetos, o Startup eXchange Program (SXP) e o Startup Tour. O SXP é um programa que pretende facilitar o processo de internacionalização de Startup enquanto que Startup Tour pretende emergir empreendedores em ecossistemas de empreendedorismo de referência como é o caso de Berlim ou Londres.”

 

Não há dúvida que ter uma visão global desde a sua criação é fundamental para as startups Portuguesas. Existem várias formas de o fazer - seja por uma rede de franchising, vendas online, aquisição de parceiros, por feiras ou mesmo abrindo escritórios em mercados importantes. Conhecem alguma estratégia de internacionalização inovadora de uma Startup Portuguesa?

“As startups podem desenvolver modelos de negócio inovadores ou produtos disruptivos, mas interessa sobretudo que estejam atentas às oportunidades. Há alguns anos atrás, o governo Chileno criou um programa inovador para desenvolver o ecossistema de empreendedorismo do Chile. Este programa chamado Startup Chile permite às startups de todo o mundo explorarem o mercado do país, recebendo algum financiamento para que se possam mudar para lá. Atentas a esta oportunidade, algumas startups portuguesas rumaram ao Chile, tendo a possibilidade de testar nesse mercado os seus produtos/serviços. São exemplos a Jump Seller, a Uniplaces ou a Memeoirs. Com o SXP, que referi anteriormente também pretendemos apoiar este processo de internacionalização. A Vitasensis é exemplo de uma das startups que participou no programa em 2012, tendo sido recebida pela Aalto Venture Garage da Universidade de Hensinquia onde ainda se encontram a desenvolver negócio.”

 

Muito obrigado ao Rafael Pires pela sua disponibilidade de nos falar da Startup Pirates. Parabéns pelo trabalho até aqui!


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