Desemprego? A solução não será do Governo


Por: Daniel Araújo Há 4 anos, 7 meses atrás

Toda a ala da oposição em Portugal culpa o Governo pela altíssima taxa de desemprego que Portugal tem. Independentemente da taxa estar a descer há 10 meses, encontram sempre um ângulo para criticar o trabalho feito em Portugal nesta matéria.

Na verdade, é claro que várias das políticas do executivo nos últimos anos tiveram um efeito recessivo (muito maior do que foi previsto pela troika ou pelo próprio Governo, o que demonstra a sua impreparação), nomeadamente o aumento de impostos e o atrofiar da procura interna.

Os bons resultados, que apesar de ténues têm sido consistentes, não poderão ser imputados à atuação do Governo. Da mesma maneira, o seu aumento nos últimos anos também não foi culpa inteira do Governo - a nossa economia não era competitiva, não estava renovada nem preparada para competir globalmente. Por muito boas intenções e dinheiro que tivéssemos nos cofres do Estado, não iríamos conseguir evitar este flagelo.

 

A forma do evitar seria termos tido, por um lado um estado que tivesse uma balança comercial positiva, e por outro uma economia muito mais aberta. O que tivemos é uma economia onde 1% controla uma percentagem desmedida da riqueza, e 99% de PME’s apenas viviam para o mercado local.

As empresas que são criadas em 2013 enfrentam uma nova realidade - não podem competir localmente. Não há procura. Por isso, muitas delas são obrigadas a competir a nível internacional desde o primeiro dia. Isto é uma mudança que irá provocar alterações enormes no nosso tecido empresarial a 10 anos, quando as grandes empresas e grupos económicos irão começar a perder o peso que têm na nossa economia, em favor das empresas que são criadas hoje que terão sucesso (que será uma percentagem muito pequena, claro)

 

Então como podemos resolver a questão do desemprego, se o Governo não é responsável por isso?

A OCDE deu no mês passado uma resposta contundente a esta questão que já era referida por algumas pessoas há algum tempo. O desemprego é diminuído muito mais pela criação novas empresas do que pelas que existem já no mercado.

“Dar uma melhores chances a empresas novas e dinâmicas como startups  irá criar emprego e contribuir para o crescimento” -  Andrew Wyckoff, Diretor de Ciência, Tecnologia e Indústria da OCDE

Deste modo, precisámos sim de dar condições a estas novas empresas para fazerem o seu trabalho, inovarem, diferenciarem-se e crescerem de forma orgânica, isto é, sem apoios que distorcem o seu real valor no mercado.

Este governo tem criado (outras vezes continuado) algumas iniciativas de apoio à contratação e  à criação de empresas como o Passaporte para o Empreendedorismo ou o Estímulo à Contratação de Trabalhadores por Startups.

Ainda esta semana o André Jordão, CEO da startup Portuguesa Foodzai, afirmava numa entrevista que é muito mais fácil criar e manter uma empresa em Portugal do que na Alemanha.

Portugal não vai ficar uma Startup Nation com estas iniciativas, mas pelo menos sabemos que por um lado, não nos faltam condições para o fazer, e por outro, o impacto na economia e no emprego será muito mais relevante que apoios a grandes empresas.


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