A experiência da Foodzai no LeWeb'13


Por: Daniel Araújo Há 4 anos, 2 meses atrás

Ainda antes de ter entrado no palco, a Foodzai já começava a ser falada nos media. Foi a primeira startup portuguesa a apresentar-se no LeWeb, uma das mais importantes conferências de empreendedorismo e tecnologia da Europa. Falámos com André Jordão, um dos fundadores, para saber como foi a experiência.


A Foodzai é uma nova plataforma online que permite a qualquer pessoa descobrir e encomendar especialidades culinárias de chefes amadores em Lisboa, Londres e Dublin.


Sobre a Foodzai 

O que vos fez levou a criar a Foodzai?

Primeiro, nos nossos círculos sociais conhecemos várias pessoas que adorariam fazer da culinária uma actividade, nem que seja em part-time. São pessoas apaixonadas pela cozinha mas não sabem como partilhar os seus pratos e muito menos como monetizá-los. Esta é uma forma de lhes dar um palco e permitir-lhes construir uma reputação nas suas cidades.

Segundo, vimos que o conceito de restaurante não muda há decadas, quando os melhores pratos que conhecemos... não estão em restaurantes. Toda a gente conhece alguém que cozinha “o melhor não-sei-quantos” do mundo. Portanto queriamos criar uma forma de descobrir e comer a melhor comida autêntica, onde quer que ela esteja.

 

Qual acreditas ser o maior desafio, encontrar “chefs” amadores, amantes da gastronomia ou convencer ambos a usar a plataforma para transacionar comida?

Este é um dos grandes problemas de um marketplace e curiosamente achámos que seria mais difícil encontrar chefs amadores com a qualidade que procuramos. Sabemos que existem na quantidade que precisamos mas pensámos que seria extremamente dfícil chegar a eles. Mas o que estamos a ver é que tem sido a parte mais fácil. Neste momento o maior desafio é encontrar o market-fit, fazer as adaptações e melhorias que forem necessárias, para fazer com que as pessoas realmente comprem e interajam na comunidade.

 

Gosto imenso do vosso conceito de “explorar a tua comida local”. Como vês a Foodzai a encaixar-se na rotina culinária das 3 cidades em que estão agora presentes?

A nossa visão encaixa precisamente numa nova “rotina”. Isto é: temos os restaurantes, o takeaway tradicional... e queremos agora que haja esta terceira categoria: a Foodzai. Portanto a nossa visão de longo prazo é criar uma plataforma de uso diário. Até podes não querer comprar, mas se calhar até lá vais buscar alguma inspiração para o jantar. O conteúdo também é um ponto muito importante na plataforma.


Quais são os próximos passos do projeto?

Criar valor. É “só” isto. Uma coisa que acho que está errada na mentalidade de muitas startups é estarem investor-oriented. O dinheiro, os users, a press e o reconhecimento virão se criarmos um valor irresistível para a nossa comunidade. Nenhuma startup do mundo (incluindo as galácticas de hoje) conseguiu chegar a este ponto à primeira e portanto sabemos que lançarmos foi apenas um pequeno passo do início de uma maratona e agora vamos iterando à medida que percebermos os erros e caminhos alternativos mais optimizados.

Portanto o foco é só um: criar algo diferente e com valor para o mundo.


No LeWeb!

Antes de mais - Uau! Como chegaram até lá?

Eu acho que conseguimos lá estar e ser a primeira portuguesa a consegui-lo por várias razões. Primeiro, alguma sorte, porque o tema deste ano - a Sharing Economy - acerta em cheio no que queremos fazer. Segundo, falsas modéstias à parte, porque acho que temos um bom mix daquilo que é preciso para sermos vistos como uma startup promissora - boa equipa, produto sexy, parcerias formais com empresas de dimensão, provas de engagement em private beta, bom pitch e ainda a sorte do conceito ter o “likable factor”. Terceiro, visão grande e não termos medo de a assumir.

 

A comunidade empreendedora Portuguesa seguiu atentamente a vossa apresentação. Qual foi o feedback geral que sentiram, para além do discutido no vídeo?

O feedback foi excelente. Mesmo o juri que no pitch parece estar mais reticente (investidor no Spotify) veio depois ter connosco a dizer que gostou muito e que queria manter contacto. Muita gente se sentiu curiosa com a Foodzai e procurou conversar connosco. Regressámos com muitos business cards na mão, muitos deles de pessoas influentes e que ficaram interessadas...

O produto foi muito elogiado, embora nem seja bem o feedback mais eufórico que precisamos mas do mais negativo, para percebermos o que está a falhar na percepção do conceito, na user experience, na forma como o produto está desajustado (porque todos estão no início) em relação a como as coisas funcionam na prática...

 

Qual acreditam ter sido o maior ganho de ter participado no evento?

Sem dúvida termos conhecido pessoalmente e criado alguma empatia com pessoas que nos podem abrir portas importantes no futuro. E foi também uma injecção de “global mindset” que nunca é demais. O LeWeb é um ambiente hollywoodesco que faz bem a qualquer pessoa - sentes que estás entre os que querem fazer coisas grandes no mundo.

 

Falaram sobre o ecossistema empreendedor Português com empreendedores internacionais? Qual era a opinião deles?

Ao contrário do que pensava, infelizmente Portugal ainda não é visto com muita credibilidade e isso afecta a imagem das startups. Sentimos isto especialmente por parte de investidores, que vêm Portugal como uma Polónia ou Grécia - ou seja, “até podem conseguir algo” mas a percepção é a de um país de segunda a nível de empreendedorismo. Retiro isto de imensos comentários que ouvimos, a maior parte não propriamente negativos, mas que transparecem algum preconceito. Ouvimos muitas vezes coisas como: “gostei muito e [por isso] nunca diria que são portugueses”.


E qual é a vossa?

Eu acho que o ecossistema empreendedor em Portugal ainda é muito jovem. Vive alguma euforia - normal e positiva - mas que também traz algumas coisas negativas. Há muita gente a criar startups mais pelo appeal do “lifestyle do empreendedor” do que pela filosofia de tentar acrescentar valor ao mundo. Há algumas coisas erradas no mindset mas também há muito de certo em se apostar a sério em empreendedorismo, porque a única coisa que nos falta é um grande caso de sucesso. Sinceramente acredito que isso vai acontecer brevemente.


Obrigado ao André Jordão pela entrevista e muitos parabéns pela Foodzai. Vamos continuar atentos aos próximos passos (Provavelmente a comer uma Pana Cotta de Alfazema!)


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