JOBBOX - Startup da Semana


Por: Daniel Araújo Há 4 anos, 2 meses atrás

Sempre que falamos com startups, um dos conceitos que mais discutimos são as suas equipas. Recrutar as pessoas certas e criar uma cultura forte são das decisões mais importantes CEOs. Nesse sentido, desde que conhecemos o conceito da JOBBOX, tínhamos a certeza que seria uma óptima oportunidade para dar a conhecer um excelente projecto que está a trabalhar na forma como os colaboradores podem referenciar pessoas para a empresa. Fica então a entrevista com o Pedro Carmo Oliveira, Co-Fundador Executivo da JOBBOX.

Antes de mais, como é que definem a JOBBOX?

A JOBBOX é uma empresa portuguesa criada em outubro de 2013 para facilitar o recrutamento de funções ligadas à área tecnológica. Em fevereiro de 2014, lançamos uma plataforma digital que pretende revolucionar a facilidade e rapidez com que as empresas encontram engenheiros, programadores, web designers e outros profissionais de marketing digital.

O serviço baseia-se num sistema de recomendações ou referrals: um utilizador que identifique na sua rede de colegas, ex-colegas ou amigos alguém que pode ser o candidato certo para uma das funções anunciadas no site www.jobbox.io, pode recomendá-lo para essa função. Caso a recomendação resulte num recrutamento bem sucedido, a pessoa que recomendou recebe uma recompensa que pode chegar aos milhares de euros.

Para além da plataforma, a JOBBOX disponibiliza também um serviço premium de recrutamento tecnológico, que inclui todas as fases de um processo, até à colocação de uma pessoa na função.

Como é que surgiu o conceito?

A ideia de trazer este serviço para Portugal surgiu quando conheci o meu sócio, José Vicente Paiva, num evento na Startup Lisboa. Ele trabalhou muitos anos no setor das TI e tínhamos ambos noção da dificuldade que o mercado sente em recrutar techies. Até porque muitas empresas de recrutamento não percebem as competências técnicas exigidas por essas funções e têm dificuldade em avaliá-las nos candidatos». A ideia foi amadurecendo e, poucos meses depois, surgiu uma versão preliminar do que viria a ser a JOBBOX.

Quem é a equipa hoje?

A equipa é composta por 8 pessoas, das quais duas estão focadas na componente de RH, três estão focados na componente tecnológica e no melhoramento da experiência do utilizador e uma está focada em marketing e comunicação. O projeto foi co-fundado por mim e pelo José Vicente Paiva. Eu sou co-Fundador Executivo e o José Vicente Paiva é Administrador.

O que diferencia a JOBBOX de outros produtos semelhantes?

Em Portugal não existem plataformas baseadas no conceito de employee referral. Noutros países, sim, mas nenhum tem a nossa especialização em funções de caráter tecnológico. O que existe são sites de emprego que listam ofertas de trabalho e também plataformas como o LinkedIn, que tornaram mais fácil para as empresas encontrarem candidatos. Mas a JOBBOX baseia-se num sistema de recomendações, tornando mais rápido para as empresas encontrar candidatos de qualidade. Além disso, há um factor de confiança adicional, pelo facto de existir uma recomendação de alguém que conhece o potencial daquela pessoa, porque foi seu colega ou convive socialmente com ela há muitos anos. Para os candidatos, a JOBBOX diferencia-se porque aumenta a probabilidade de os candidatos serem colocados.Vários estudos sobre dizem que cerca de 25% a 40% dos candidatos são recrutados com base em recomendações.

Também somos diferentes pelo facto de propormos um sistema de recompensas para quem recomenda.

No nosso serviço premium, diferenciamo-nos de outras empresas de recrutamento também devido à nossa especialização em funções da área da tecnologia e ainda levámos isso mais longe do que na plataforma, desenhando um conjunto de testes para avaliar as competências técnicas aos candidatos. Para facilitar a aplicação desses testes, criámos a Conundrum (www.conundrum.jobbox.io), uma plataforma open source desenvolvida pela nossa equipa especificamente para este efeito.

Qual o vosso Modelo de Negócio? Como medem o vosso potencial de mercado?

O nosso modelo de negócio está assente numa comissão que varia entre 30% a 50% sobre o valor da recompensa que as empresas pagam ao “recomendador”. Atualmente, o valor médio das recompensas que as empresas que já recrutam através da JOBBOX se propõem pagar é de 500 euros. No entanto, a recompensa por uma única recomendação pode ir dos 200 aos 4.200 euros, ficando essa informação clara na plataforma, para cada função.  Apesar da JOBBOX não sugerir os valores que cada empresa deve pagar, quanto maior a recompensa, maior será a possibilidade de surgirem recomendações com qualidade superior.

Em termos de potencial de mercado, a JOBBOX espera faturar cerca de 100 mil euros, em 2014, e atingir 100 colocações bem sucedidas no seu primeiro ano no mercado. Para 2015, está prevista a abertura de um escritório em Londres.

Qual é o estado actual da JOBBOX?(Procuram beta-testers, ainda em desenvolvimento, etc)

A JOBBOX foi criada, enquanto empresa, em outubro de 2013. Desde o fim do ano que prestamos serviços na área premium. Em fevereiro de 2014, lançou uma plataforma digital, da qual já constam cerca 20 ofertas de trabalho, algumas das quais internacionais. Entre as empresas clientes desta plataforma encontram-se a Talkdesk, a Glean, a Small Improvements Software, a Seedrs, a Typeform, a Imaginary Cloud, a Muzzley, entre outras.

Como é que vocês têm atraído potenciais clientes? Sentem que vocês estão a mostrar às pessoas um problema que não sabiam que tinham, ou por outro lado, era uma necessidade já latente que vocês estão a responder?

Muitas pessoas já recomendam informalmente os seus colegas, ex-colegas ou amigos para funções das quais têm conhecimento. Ao recomendarem alguém estão a transmitir confiança e, de certa forma, a credibilizar as competências dessa pessoa. Se poupam tempo às empresas e melhoram a qualidado dos candidatos, porque não serem recompensadas por esse serviço de recomendação? E temos observado que as empresas estão dispostas a pagar. Na verdade, muitas já estão familiarizadas com o conceito de employee referral. Algumas multinacionais usam este sistema junto da sua base de colaboradores, remunerando não só em dinheiro mas também noutros benefícios, como por exemplo gadgets ou gift vouchers da Amazon. A recompensa visa encorajar as pessoas a “desbloquearem” o acesso às suas redes interpessoais. O nosso sonho é ter pessoas a viver da JOBBOX, tornando-se power referrers e human hubs naturais. No futuro, era bom haver pessoas que ganham dinheiro a ajudar os amigos a encontrarem colocações onde se sintam mais felizes e realizados.

Quais são as principais funcionalidades que irão ser implementadas na JOBBOX no futuro próximo?

Neste momento, estamos a desenvolver um algoritmo que permite melhorar o skills matching, ou seja, aumentar a probabilidade de sucesso entre os descritivos de função publicados pelas empresas e as respetivas candidaturas.  Estamos também a fazer alterações no site para que seja ainda mais rápido fazer login, recomendar candidatos e contactar um amigo para fazer uma recomendação.  

Têm algum conselho para os que estão agora a começar a pensar abrir uma Start-up?

Estudar muito bem o mercado. No nosso caso, depois de termos tido a ideia, fizemos testes de customer development, falámos com mais de 50 empresas e percebemos que o que funciona melhor na área do recrutamento são, sem dúvida, as recomendações. É muito importante testar a ideia e focarem-se em fazer um produto que as pessoas realmente queiram e que lhes seja útil.


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