Mas afinal, de que serve uma startup para a sociedade Portuguesa?


Por: Daniel Araújo Há 4 anos, 4 meses atrás

Em 1976, quando foi pela primeira vez definido o conceito de startup, poucos poderiam pensar quão aceso seria o debate  acerca do que realmente significa e quais os seus beneficios para a sociedade no século XXI.

Do meu ponto de vista, este interesse recente é justificado - uma startup é uma nova forma de fazer negócios, e estes projetos serão os negócios do futuro. Ainda assim, se uma startup quiser manter este estatuto para sempre, não durará muito no mundo empresarial. A isto se costuma designar de “síndrome do Peter Pan” - querer ser uma criança eternamente.

 

O porquê do crescimento exponencial de startups

Há 20 anos atrás o custo de abrir uma empresa era muito elevado e obrigava a usar modelos de negócio que existiam para evitar quaisquer riscos.

Com a redução dos custos de criar empresas, o número de novos projectos explodiu, e permitiu a muitos testarem formas inovadoras de gerar receitas. Estes podem ser vistos como “experiências” empresariais que testam novos modelos de negócio, que não precisam, por isso, de estar ligados à tecnologia.

Basta pensarmos na Google que massificou o pagamento por clique, revolucionando o mercado do Marketing digital. Da Apple com o iTunes, que mudou a indústria musical de forma definitiva, ou o caso mais recente da Netflix que está a proporcionar uma nova forma das pessoas consumirem séries de forma legal.

Claro que para cada uma que é um sucesso, muitas não conseguem provar que o seu modelo funciona (na maioria dos casos porque não se focam no que as pessoas realmente querem). Este facto não torna este tema irrelevante, como muitos o querem fazer. A exposição mediática vai acalmar, certamente, mas espero que os empreendedores não abrandem por causa disso.

O facto das barreiras para criarem negócios serem baixas faz com que várias pessoas sem qualquer conhecimento os criem “porque sim”. Os vários falhanços fazem com que os media/blogs comecem a retratar este tema com um tom mais jocoso do que seria desejável.

Sempre que se baixam os custos de entrada, a criação/inovação floresce. Essa inovação, para ser sustentável, precisa de um modelo de negócio. Isto é uma startup. Junto com estes casos de verdadeira inovação, vem muito mais ruído. Cabe a cada um de nós destilar os verdadeiros e importantes.

Acerca dos “copycats”

Projectos que imitam modelos de negócio já provados não são startups. Não que isso tenha algo de mal - são negócios de sucesso, que precisamos ainda mais do que startups! Hoje em dia parece que para um projeto ser “cool” tem que se chamar de startup. É aí que está o erro. Não em quem as cria por acreditar na visão do seu projecto.

O que vem a seguir?

Hoje em dia a barreira de entrada para o sector do Hardware está a baixar muito rapidamente, com as impressoras 3D, os RaspberryPi’s e os Arduinos. Estão por isso criadas as condições para que a próxima fase de startups seja nesta área. Acredito que nos próximos 5 anos comecem a aparecer, em Portugal também, muitas mais empresas que tornam os objectos do dia-a-dia mais inteligentes. Talvez os media se comecem a focar nesses projectos em vez de startups de software, que têm muita mais visibilidade hoje.


Em suma, o aparecimento de muitas mais startups em Portugal  é relevante e positivo. O interesse súbito do Público e do Expresso (uma métrica de sucesso para muita gente), é que acredito que vá desaparecer. Acredito que dessa maneira todos nos vamos poder focar mais na geração de receitas por modelos inovadores e ignorar o tópico de “quem sai onde”. Aí sim, estaremos no caminho certo para criar e ajudar as startups que são verdadeiramente importantes para Portugal.


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