Missão Brasil


Por: Daniel Araújo Há 5 anos, 2 meses atrás

Como a língua comum e a cultura próxima está a criar oportunidades para os dois países.

Decorreu em setembro a conferência “Caminho das Exportações”, organizada pelo Expresso, em São Paulo, sendo parte da iniciativa Energia de Portugal. Vários empreendedores Portugueses falaram desta relação entre os dois países, e como existem imensas oportunidades de crescimento para as empresas de ambos os lados do Atlântico.

A ligação entre os dois países, tão forte em vários campos da sociedade, procura hoje uma nova via de sucesso, em que ambos possam beneficiar e crescer. Esta ligação, mais do que comercial, deve ser uma ligação económica. Isto significa que a preocupação não é apenas comprar e vender, mas sim criar sinergias para ambas as partes através de partilha de tecnologia, conferências comuns e até intercâmbio de colaboradores.

Apesar de os dois países estarem em momentos económicos completamente diferentes, o benefício seria mútuo. O Brasil precisa da escala mundial, internacionalização, precisa do mercado europeu para vender vários produtos que produz. Não menos importante, precisa de uma voz diplomática na União Europeia.

Portugal precisa de acesso a um mercado onde os produtos nacionais são muito bem recebidos, mas que tem uma escala incomparável aos nossos 10 milhões de habitantes.

O que é necessário?

Estas sinergias poderão ser iniciadas pela troca de experiências entre os criadores e empreendedores dos dois países. A partilha de custos a fixarem-se nos dois países - uma empresa Portuguesa apoia uma brasileira a montar um operação na Europa e vice-versa, partilha de tecnologia - ambos os países possuem uma boa base tecnológica que teria imensos ganhos se essa fosse partilhada entre os dois, e negociação à escala - as empresas poderiam criar joint ventures para competir globalmente.

 

As exportações são a nossa maior aposta para a saída da crise, e é inegável a sua importância para a correção da balança comercial. Ainda assim, há uma competência que Portugal tem que não está a ser devidamente utilizada - a diplomacia económica. Esta diplomacia tem sido utilizada apenas para pedir ajuda externa (o estado financeiro a que chegamos não nos permite negociar) e para provar como temos implementado o programa. Chegou a altura de negociar. Para isso, precisamos de criar valor para a outra parte também. No caso do Brasil, podemos abrir portas para o nosso mercado europeu e  partilhar a nossa excelência em vários setores, que aprenderam nos últimos anos a ser competitivos internacionalmente como é o caso do setor do calçado ou o do têxtil.

 

O Português como nova língua do poder e comércio

A frase é da revista inglesa Monocle, que dedica a sua edição deste mês à lusofonia e ao impacto que, encontrado o caminho comum entre as várias nacões que partilham esta língua, poderá ser atingido pela língua comum. Desde o mercado Brasileiro, à diplomacia Portuguesa ou à riqueza de Luanda, o Português é uma língua global que tem sido menosprezada. Uma das sugestões da revista é a criação de um espaço Schengen para os países lusófonos.

“Apesar de Portugal não estar a atravessar uma das melhores fases da sua história económica, o país possui algumas empresas poderosas e a crescer.”

Felizmente há vários sinais de que esta mundança já está a acontecer. Nos últimos meses, foram assinados protocolos para o reconhecimento mútuo de graus académicos nos dois países e também um memorando de entendimento na área da propriedade industrial. Esperemos que outras áreas sigam estes bons exemplos, e que os empreendedores lusófonos consigam encontrar a plataforma certa para partilhar conhecimentos e fazer negócios à escala global.


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