O novo rosto do Empreendedorismo em Portugal: Um “Administrador”


Por: Daniel Araújo Há 4 anos, 6 meses atrás

A troca de um empreendedor sem experiência política por um político sem experiência empreendedora é perigosa. Franquelim Alves começa mal não pelo facto de ter sido administrador da SLN, mas sim porque não fez outra coisa a não ser.... “administrador”.

O CV do novo Secretário de Estado do Empreendedorismo, Competitividade e Inovação, Franquelim Alves, é bastante claro - foi sempre “administrador”. O que fez durante as suas administrações, isso já não é tão claro (tal como o nome SLN não é muito claro, por alguma razão). Este é o tipo de CV que se vê mais na classe política em Portugal - incluindo a do próprio primeiro-ministro - em que nunca lutaram, criaram, ou desenvolveram algo de raiz. Isto não os torna incompetentes por consequência, mas nunca tiveram de provar que eram, de facto, competentes no meio empresarial.

Numa área tão central ao desenvolvimento do país, entristece-me a escolha de uma pessoa que não poderá empatizar com os empreendedores Portugueses, esses sim que aprenderam a lutar, a criar e desenvolver sem compadrios políticos, simplesmente porque nunca passou nem sequer por perto desta área.

Esta classe de “administradores” e “consultores”, que normalmente acabam o curso e já estão nessas posições, e normalmente em empresas com conotações políticas, são um peso para o país e serão as últimas pessoas que irão conseguir fazer a reforma que todos nós procuramos.

 

O empreendedorismo em Portugal com o Carlos Oliveira

O empreendedorismo em Portugal estava no bom caminho. Carlos Oliveira conseguiu imensas conquistas nesta área, o programa +e+i, a reformulação de todo o capital de risco público na Portugal Ventures, entre outras iniciativas. Não fez tudo o que queria, mas no tempo que teve,  considero o seu mandato positivo e foi sem dúvida uma das faces positivas do Governo.Não explicou em muito detalhe as razões da sua saída, mas talvez volte para o meio empreendedor na Pathena, empresa de capital de risco que já colaborou no passado. 

Agora - Menos empreendedorismo?

O mandato do novo Secretário de Estado não está condenado à partida - espero sinceramente que ele prove que, mesmo sem as credenciais que a posição exige, possa fazer um bom trabalho, por muito que isso me pareça impossível. Talvez se consiga rodear de pessoas que realmente se preocupem com o acesso ao capital pelas novas empresas, que queiram que Portugal seja verdadeiramente competitivo nas tecnologias de informação a nível fiscal e acima de tudo, que lute para que o nosso ambiente de criação de negócios seja mais justo e competitivo.


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