Temos um ecossistema empreendedor?


Por: Daniel Araújo Há 5 anos, 3 meses atrás

Há uma semana, o Fernando Moreira escreveu na NovaWeb acerca do espírito e da vontade empreendedora. Agora, vamo-nos focar no ecossistema empreendedor Português, no que está diferente hoje e o que nos falta para que existam cada vez mais projetos de sucesso internacional.

O último relatório sobre o Empreendedorismo da OCDE, publicado em 2012, deixou claro as diferenças entre o ecossistema de Empreendedorismo nacional e os dos restantes membros da Organização.

O número de empresas criadas em Portugal está na média europeia. Os custos e os processos necessários para abrir uma empresa são dos mais baixos da Europa. A nível cultural, apesar do estereótipo nos catalogar como avessos ao risco, estamos apenas ligeiramente acima média europeia:

 
 


De todas as componentes, a única que é um problema em Portugal, segundo a OCDE, é o acesso ao crédito. Sem dúvida, esta é uma grande limitação ao ambiente de criação de empresas, mas não é limitativo na maioria dos casos, especialmente se forem empresas ligadas à Internet. Estas novas empresas podem usar a web como uma plataforma de comunicação e desenvolvimento de produtos, montar uma equipa internacional ou vender produtos online. Será que temos as pessoas certas para o fazer?

 

Em 2013, algo está a mudar

Hoje temos novos empreendedores Portugueses, com formação superior, muitas vezes internacional, que sabe e quer competir globalmente. Quer crescer e melhorar. São pessoas que quando se fala de sermos um país pequeno, relembra que Israel é a segunda nação com mais concentração de startups no Mundo e tem 7.1 milhões de pessoas. A diferença é que as empresas israelitas são construídas de raiz com um cariz internacional e têm uma das indústrias de capital de risco mais desenvolvidas do planeta.

Na década de 80, a grande preocupação dos Governos Portugueses foi aumentar a competitividade do país através da mão-de-obra de baixo custo, o que fez com que a preocupação de inovação constante não fosse algo premente à gestão Portuguesa. Afinal, se Portugal fosse sempre mais barato, não era preciso melhorar o produto, certo?

Errado. Não só Portugal não é o mais barato em 2013, como neste momento precisa de redesenhar todas as suas indústrias para que sejam muito mais avançadas e preparadas para os desafios globais. Este ajustamento económico é extremamente difícil e todos sabemos os custos sociais que exije. Ainda assim, temos algumas empresas que já conseguiram fazer este ajustamento competitivo. Acredito que desta geração surjam ainda mais.

 

O que falta?

O Fernando, no seu artigo, falou na atitude que falta aos Portugueses. Uma das frases que mais gostei foi a seguinte:

“Se estamos a falar de empreendedorismo há que fazer. Para mim, empreendedorismo é fazer. Acabaram as desculpas, porque todas as frases que mencionei acima conseguem resolver-se com cada um de nós a fazer.“

Uma indústria de capital de risco desenvolvida, competitiva e aberta ajudaria também - um dos grandes problemas é a sustentabilidade dos projetos nos primeiros anos. Atualmente, os programas de apoio ao Empreendedorismo têm ajudado as Startups a lançarem-se no mercado, mas seria interessante que estes programas disponibilizassem, cada vez mais, apoio monetário e aproximação às empresas de capital de risco.

Por último, apesar do excelente trabalho que o Carlos Oliveira fez como Secretário de Estado do Empreendedorismo, Competitividade e Inovação, faltam incentivos fiscais à criação de Startups, nomeadamente na eliminação de todos os custos no primeiro ano. O Reino Unido é um excelente exemplo de como a fiscalidade pode ter um impacto essencial no desenvolvimento de um ecossistema empreendedor. A  Federação Nacional de Associações de Business Angels falou neste assunto ainda em 2011.

Na próxima semana teremos um artigo que se focará no como fazer, através da análise de um livro muito influente no mundo das Startups mundial.

O que achas que falta ao nosso ecossistema empreendedor?


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