Zercatto - Startup da Semana


Por: Daniel Araújo Há 4 anos, 5 meses atrás

Na semana passada foram anunciados os vencedores do Seedcamp Berlin, e nessa lista Portugal é o mais mais bem representado, com a Popcorn Metrics e a Cashtag, de Lisboa, e também a Zercatto, do Porto. Contactámos Gaspar D’Orey, fundador e CEO da startup Portuense, que nos falou da experiência no Seedcamp e ainda sobre o futuro da Zercatto.  

Antes de mais, muitos parabéns! Vão poder explorar uma das capitais de startups da Europa. O que vos atrai em Londres?

Por coincidência ou não, todos nós já morámos em Londres. É uma cidade extremamente dinâmica mas, no nosso caso, o atractivo principal é ser o coração financeiro da Europa, que liga muito bem com o Zercatto, dado actuarmos na área de investimento em mercados financeiros. 

Voltando um pouco atrás, o que achas que foi fundamental para terem garantido um lugar no Seedcamp?

O lugar no Seedcamp vem devido a termos um projecto interessante, diferente, disruptivo, mas, e só descobri isto depois (embora já se imaginasse) o critério principal de selecção é mesmo a equipa de fundadores. É fundamental haver conhecimento específico do sector, principalmente quando o sector é complexo, dedicação por parte de todos os elementos e qualidade em quem participa na empresa. No nosso caso em particular, todos temos imensa experiência na área financeira e temos também outros projectos empreendedores onde demos provas da perseverança e capacidade de inovação necessárias para levar o Zercatto a bom porto. 

A equipa da Zercatto vai-se mudar toda para Londres?

Não, nenhum de nós se irá mudar. Optámos por manter as operações em Portugal por várias razões, mas principalmente porque a nossa área de desenvolvimento está cá e, nesta fase inicial, precisamos estar próximos para ter uma evolução mais rápida e ágil - a comunicação tem sido fundamental para levar o Zercatto a bom porto. Um ou dois dos fundadores irão com maior frequência a Londres para estarmos e aprendermos com os mentores do Seedcamp. 

Podes partilhar conosco algumas métricas vossas, como número de utilizadores, valores transaccionados, ou qualquer outro número que tenham usado no pitch do Seedcamp para provar o vosso crescimento e potencial?

Actualmente temos cerca de 130 estratégias activas, a renderem, em média, mais de 42% em menos de um ano - esta foi a métrica WOW. 

Em termos do vosso público alvo, prevês que a Zercatto seja mais usada por pessoas que já investem em vários produtos, por pessoas que nunca investiram, ou por investidores profissionais? Como é que vocês se posicionam para atingir essas pessoas?

O Zercatto foi desenhado para investidores activos, que queiram controlar a sua carteira. Não precisam de ser profissionais, e podem ter apenas 1.000 Euros para investir, mas é fundamental que queiram receber as operações de quem já é bom a investir, e que tenham a proactividade para comprarem e venderem esses activos eles mesmos (que embora possa parecer complicado, demora muito menos que 20 segundos num smartphone com internet!). Ou seja, é diferente de um depósito num banco, porque exige uma acção do investidor, mas o potencial também é muitíssimo superior, como provam os resultados até agora. 

No futuro, acreditas que necessitarão de uma relação com instituições financeiras, como bancos ou gestores de fundos, ou eles são a vossa competição directa?

Claro que sim, e, na verdade, já as temos! Os bancos e corretoras não são nossa concorrência, pois têm muito a ganhar com um site como o Zercatto. Passo a explicar.

Hoje em dia, nas corretoras online de retalhe, só cerca de 10% dos clientes é que são activos todos os meses - ou seja, fazem uma operação - o que quer dizer que só 10% dos clientes geram comissões para a corretora. Desta forma, 90% da sua base de clientes não lhes gera um tostão, porque as corretoras (e os bancos) ganham com as comissões de compra e venda de activos dos clientes. E porque é que estes clientes não investem? Porque, embora tenham tido a motivação para investirem no mercado, e até abriram uma conta, rapidamente descobriram que não é dinheiro fácil, e que não têm tempo nem a dedicação necessárias para lidar com o mercado. Então, passados uns meses, desistem e não investem mais em bolsa. Estes clientes nada rendem hoje em dia às corretoras.

No Zercatto, não ganhamos com as comissões de compra e venda dos activos. O modelo de pricing é uma subscrição de valor fixo semanal, onde este valor fixo é determinado por cada criador de carteiras no site, que só é cobrado se houver um lucro na semana - e o Zercatto fica com 30% desta subscrição. Ou seja, os nossos criadores estão motivados para terem bons resultados, e não para andarem a comprar e a vender 30 vezes por dia. Desta forma, alinhamos muito mais os interesses com os investidores que os queiram seguir. E como alinhamos os interesses, eles sentem-se mais confiantes, motivados, e voltam a investir através das suas corretoras!

Ou seja, os clientes que antes não eram activos, passam a sê-lo! E por isso os 10% de clientes activos nas corretoras podem passar a 20%, ou ainda mais! Daí a oportunidade para corretoras e bancos. 

Qual foi a vossa maior entrave até ao momento?

O nosso grande entrave, mas que se transformou numa oportunidade e barreira à entrada para novos concorrentes, e por isso tornou-se positivo, foi a aprovação pela CMVM do modelo de negócio. Demorou um ano e meio a obter, mas também foi positivo porque nos fez pensar em vários pontos do modelo de negócio que poderíamos melhorar, e assim o fizemos. 

Como é que vêm outros mercados, nomeadamente o alemão, para o vosso produto?

Já temos clientes de vários mercados diferentes, como sendo Inglaterra, Alemanha, Holanda, Turquia, entre outros.  Os mercados financeiros são globais, por isso a oportunidade está em todo o lado - mas em mercados sofisticados como o alemão, o inglês e o americano, o potencial é, obviamente, muito maior dada a penetração da cultura de investimento. 

A vossa estratégia para os próximos anos passa por ganhar profundidade nos mercados onde estão presentes ou alargar o número de mercados?

Estamos numa fase ainda embrionária nesse aspecto, ou seja, temos ainda de perceber em que mercados é que o modelo do Zercatto é realmente bem aceite. Nesta fase vários clientes surgem de vários lugares, mas estamos sobretudo ainda a receber os early adopters. Os próximos passos agora são medir os resultados, conversar com estes early adopters, e perceber as razões que os atraem ao Zercatto para as podermos potenciar e divulgar. 

Por último, a nível da tecnologia que criaram na plataforma, quais são as próximas funcionalidades que os utilizadores poderão esperar?

A grande alteração que teremos em breve é um site totalmente redesenhado e muito mais user friendly em formato web, mobile e app para iOS e Android.


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Obrigado pela entrevista e boa sorte!


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